Devon
Mirkovic é um personagem que simboliza a fusão entre a disciplina rígida do
mundo militar e a criatividade e liberdade do universo da moda virtual no
Metaverso. Sua trajetória mostra um conflito inicial entre expectativas
familiares e pessoais, com um custo emocional e social, mas que culmina numa
construção de identidade forte, precisa e admirada em ambos os mundos.
DEVON, O QUE TE MOTIVOU A ENTRAR PARA O EXÉRCITO E COMO ESSA
DECISÃO IMPACTOU SUA VIDA PESSOAL E PROFISSIONAL NO METAVERSO?
Devon: Sempre tive que seguir os passos do meu pai. Ele é
General e desde que me entendo por gente, fui moldado para me tornar como ele. Entrar
para o Exército estava planejado desde pequeno, mas isso me custou muito. A
vida pessoal por muito anos ficou em segundo plano, sentimentos reprimidos,
relações distantes. Em compensação, ganhei postura e uma presença que carrego
até hoje, inclusive no Metaverso. Lá, essa identidade virou marca. Minha imagem
se tornou uma extensão do que aprendi: firme, precisa e difícil de derrubar.
COMO É A ROTINA DE ALGUÉM QUE CONCILIA O RIGOR DA VIDA
MILITAR COM A CRIATIVIDADE E LIBERDADE DO MUNDO DA MODA VIRTUAL?
É um equilíbrio delicado, a vida militar exige disciplina,
regras, discrição. Já o universo da moda virtual é o oposto: criativo, exposto,
livre. Em Liubliana, por conta da minha posição e do sobrenome que carrego,
estar publicamente presente se tornou quase uma exigência. Ser um Mirkovic vem
com um certo peso. Há uma expectativa constante de comportamento, postura,
aparência. Minha família está ligada à política há gerações e para nós, uma
falha de imagem pode se tornar uma crise de reputação. Cresci sendo reservado,
quase invisível fora dos círculos militares. Mas com o tempo, percebi que o
anonimato, para alguém com meu nome, era um luxo que eu não podia mais manter. Foi
aí que a moda entrou. Ela se tornou uma forma de visibilidade. Ao ocupar capas,
campanhas e eventos no Metaverso, consegui projetar uma imagem que me aproximou
das pessoas sem abrir demais quem eu realmente sou.
VOCÊ JÁ ENFRENTOU ALGUM TIPO DE PRECONCEITO OU RESISTÊNCIA,
SEJA NO EXÉRCITO OU NA MODA, POR TRANSITAR ENTRE DOIS UNIVERSOS TÃO DISTINTOS?
Devon: Já. Definitivamente. O Exército ainda é um ambiente
tradicional. Eu tenho 32 anos, venho do leste europeu e para muitos dos meus
superiores, ver meu rosto estampado em capas de revistas ou envolvido com moda
foi… desconcertante, para dizer o mínimo. Publicamente, tudo pareceu fluir bem.
A imagem foi bem recebida. Mas nos bastidores, ouvi comentários discretos, mal
disfarçados de mentes mais fechadas. O curioso é que a disciplina que aprendi
no Exército foi justamente o que me deu estrutura para enfrentar isso. No fim,
transitar entre esses universos não me enfraqueceu, me tornou mais completo. E
talvez, aos poucos, tenha começado a abrir espaço para outros também saírem do
molde.
HÁ ALGO QUE VOCÊ APRENDEU NA CARREIRA MILITAR QUE VOCÊ APLICA
DIRETAMENTE NOS SEUS PROJETOS NO METAVERSO?
Devon: Disciplina. Eu sei, já mencionei isso várias vezes mas
é impossível ignorar o peso que essa palavra tem na minha vida. A disciplina
que aprendi no Exército não ficou no quartel, ela me acompanha em tudo,
inclusive nos bastidores. Trabalhar com projetos criativos tem sido divertido,
mas eu não trato isso como passatempo. Levo cada entrega a sério. Me dedico ao
máximo em tudo que carrega meu nome, desde a escolha do conceito até os mínimos
detalhes. É quase automático. Aprendi que excelência vem do esforço constante e
isso, definitivamente, veio da minha formação militar.
VOCÊ ACREDITA QUE SUA PRESENÇA NO METAVERSO PODE AJUDAR A
QUEBRAR ESTEREÓTIPOS SOBRE O QUE É SER MILITAR?
Devon: Eu espero que sim. E pra ser honesto, não culpo o
militarismo por carregar essa imagem. Grande parte dos militares que conheci
realmente não têm uma personalidade muito… flexível. A estrutura, a hierarquia
molda o comportamento. Mas acredito que estamos vivendo uma transição. Uma nova
leva de jovens militares está surgindo com visões mais amplas, com mais
abertura para o mundo fora do quartel sem perder o senso de dever. Minha
presença no Metaverso é, de certa forma, um reflexo disso. Mostra que é possível
carregar a honra da farda e, ao mesmo tempo, ter expressão, estilo e voz
própria. Se isso quebrar algum estereótipo, ótimo. Se fizer alguém pensar duas
vezes antes de resumir um militar a uma caricatura, então já valeu a pena.
O QUE PODEMOS ESPERAR DE DEVON MIRKOVIC PARA O FUTURO — TANTO
NAS FILEIRAS DO EXÉRCITO QUANTO NAS PASSARELAS DIGITAIS?
Constância. Eu não sou alguém que muda de rumo por impulso.
No Exército, sigo comprometido com a hierarquia, com o país, e com o peso do
nome que carrego e do meu cargo de ser um coronel. Ainda há muito a fazer e
pretendo ir até onde for necessário. No Metaverso, minha presença continua em
evolução, mas sem jamais perder a essência. Gosto de trabalhar com imagem e é
graças a convites como o seu que esse espaço permanece vivo. Estar aqui não é
apenas sobre aparecer tem sido uma forma de me permitir ser mais aberto.
Publicamente, sim, mas também em casa, nos pequenos gestos, na forma como me
expresso, como ocupo espaço. O Metaverso me revelou novas formas de existir.


