META Magazine 104: Devon Mirkovic


Devon Mirkovic é um personagem que simboliza a fusão entre a disciplina rígida do mundo militar e a criatividade e liberdade do universo da moda virtual no Metaverso. Sua trajetória mostra um conflito inicial entre expectativas familiares e pessoais, com um custo emocional e social, mas que culmina numa construção de identidade forte, precisa e admirada em ambos os mundos.



DEVON, O QUE TE MOTIVOU A ENTRAR PARA O EXÉRCITO E COMO ESSA DECISÃO IMPACTOU SUA VIDA PESSOAL E PROFISSIONAL NO METAVERSO?

Devon: Sempre tive que seguir os passos do meu pai. Ele é General e desde que me entendo por gente, fui moldado para me tornar como ele. Entrar para o Exército estava planejado desde pequeno, mas isso me custou muito. A vida pessoal por muito anos ficou em segundo plano, sentimentos reprimidos, relações distantes. Em compensação, ganhei postura e uma presença que carrego até hoje, inclusive no Metaverso. Lá, essa identidade virou marca. Minha imagem se tornou uma extensão do que aprendi: firme, precisa e difícil de derrubar.

 

COMO É A ROTINA DE ALGUÉM QUE CONCILIA O RIGOR DA VIDA MILITAR COM A CRIATIVIDADE E LIBERDADE DO MUNDO DA MODA VIRTUAL?

É um equilíbrio delicado, a vida militar exige disciplina, regras, discrição. Já o universo da moda virtual é o oposto: criativo, exposto, livre. Em Liubliana, por conta da minha posição e do sobrenome que carrego, estar publicamente presente se tornou quase uma exigência. Ser um Mirkovic vem com um certo peso. Há uma expectativa constante de comportamento, postura, aparência. Minha família está ligada à política há gerações e para nós, uma falha de imagem pode se tornar uma crise de reputação. Cresci sendo reservado, quase invisível fora dos círculos militares. Mas com o tempo, percebi que o anonimato, para alguém com meu nome, era um luxo que eu não podia mais manter. Foi aí que a moda entrou. Ela se tornou uma forma de visibilidade. Ao ocupar capas, campanhas e eventos no Metaverso, consegui projetar uma imagem que me aproximou das pessoas sem abrir demais quem eu realmente sou.

 

VOCÊ JÁ ENFRENTOU ALGUM TIPO DE PRECONCEITO OU RESISTÊNCIA, SEJA NO EXÉRCITO OU NA MODA, POR TRANSITAR ENTRE DOIS UNIVERSOS TÃO DISTINTOS?

Devon: Já. Definitivamente. O Exército ainda é um ambiente tradicional. Eu tenho 32 anos, venho do leste europeu e para muitos dos meus superiores, ver meu rosto estampado em capas de revistas ou envolvido com moda foi… desconcertante, para dizer o mínimo. Publicamente, tudo pareceu fluir bem. A imagem foi bem recebida. Mas nos bastidores, ouvi comentários discretos, mal disfarçados de mentes mais fechadas. O curioso é que a disciplina que aprendi no Exército foi justamente o que me deu estrutura para enfrentar isso. No fim, transitar entre esses universos não me enfraqueceu, me tornou mais completo. E talvez, aos poucos, tenha começado a abrir espaço para outros também saírem do molde.

 

HÁ ALGO QUE VOCÊ APRENDEU NA CARREIRA MILITAR QUE VOCÊ APLICA DIRETAMENTE NOS SEUS PROJETOS NO METAVERSO?

Devon: Disciplina. Eu sei, já mencionei isso várias vezes mas é impossível ignorar o peso que essa palavra tem na minha vida. A disciplina que aprendi no Exército não ficou no quartel, ela me acompanha em tudo, inclusive nos bastidores. Trabalhar com projetos criativos tem sido divertido, mas eu não trato isso como passatempo. Levo cada entrega a sério. Me dedico ao máximo em tudo que carrega meu nome, desde a escolha do conceito até os mínimos detalhes. É quase automático. Aprendi que excelência vem do esforço constante e isso, definitivamente, veio da minha formação militar.

 

VOCÊ ACREDITA QUE SUA PRESENÇA NO METAVERSO PODE AJUDAR A QUEBRAR ESTEREÓTIPOS SOBRE O QUE É SER MILITAR?

Devon: Eu espero que sim. E pra ser honesto, não culpo o militarismo por carregar essa imagem. Grande parte dos militares que conheci realmente não têm uma personalidade muito… flexível. A estrutura, a hierarquia molda o comportamento. Mas acredito que estamos vivendo uma transição. Uma nova leva de jovens militares está surgindo com visões mais amplas, com mais abertura para o mundo fora do quartel sem perder o senso de dever. Minha presença no Metaverso é, de certa forma, um reflexo disso. Mostra que é possível carregar a honra da farda e, ao mesmo tempo, ter expressão, estilo e voz própria. Se isso quebrar algum estereótipo, ótimo. Se fizer alguém pensar duas vezes antes de resumir um militar a uma caricatura, então já valeu a pena.

 

O QUE PODEMOS ESPERAR DE DEVON MIRKOVIC PARA O FUTURO — TANTO NAS FILEIRAS DO EXÉRCITO QUANTO NAS PASSARELAS DIGITAIS?

Constância. Eu não sou alguém que muda de rumo por impulso. No Exército, sigo comprometido com a hierarquia, com o país, e com o peso do nome que carrego e do meu cargo de ser um coronel. Ainda há muito a fazer e pretendo ir até onde for necessário. No Metaverso, minha presença continua em evolução, mas sem jamais perder a essência. Gosto de trabalhar com imagem e é graças a convites como o seu que esse espaço permanece vivo. Estar aqui não é apenas sobre aparecer tem sido uma forma de me permitir ser mais aberto. Publicamente, sim, mas também em casa, nos pequenos gestos, na forma como me expresso, como ocupo espaço. O Metaverso me revelou novas formas de existir.